Quem atua em serviços de saúde sabe: basta um descuido com agulhas, lâminas ou outros instrumentos para que um simples procedimento se transforme em um risco real à saúde dos profissionais. É por isso que a NR-32 traz regras claras para prevenir acidentes com perfurocortantes.
Mais do que protocolos, essas medidas são ferramentas de proteção à vida de quem cuida de outras vidas. Se você faz parte de uma instituição de saúde, é essencial conhecer os principais pontos da norma e como aplicá-los de forma efetiva.
Continue a leitura para aprender sobre. Até o final do artigo, você verá:
- O que são materiais perfurocortantes?
- O que são acidentes com materiais perfurocortantes?
- Como prevenir acidentes com perfurocortantes?
- Seringa de Segurança Retrátil Sol-Care da Sol-Millennium
- O que fazer em acidentes com perfurocortantes?
- FAQ: dúvidas frequentes sobre o assunto
- Reduza riscos com a ajuda da Med Supply!
O que são materiais perfurocortantes?
A norma define como perfurocortantes todos os instrumentos usados na assistência à saúde que possuam ponta ou gume, ou seja, que possam furar ou cortar. Entram nessa categoria agulhas, bisturis, ampolas de vidro quebradas, entre outros.
O que são acidentes com materiais perfurocortantes?
Na rotina de saúde, o acidente com material perfurocortante é caracterizado por qualquer ocorrência em que o profissional sofre uma perfuração, corte ou escoriação causada por instrumentos que contenham ponta ou gume contaminados.
Isto é, o acidente não se resume apenas ao ferimento físico em si, mas sim ao potencial de exposição a patógenos perigosos presentes no sangue do paciente, como os vírus da Hepatite B, C e o HIV.
A maioria desses acidentes acontece em momentos críticos, como o reencape manual de agulhas, o descarte em recipientes superlotados ou durante a manipulação de materiais sem os devidos dispositivos de segurança.
Por isso, entender a natureza desses acidentes é um passo fundamental para implementar barreiras eficazes que protejam a integridade da equipe.
– Leia também: Candida auris: o que é, como prevenir e como controlar surtos em ambientes hospitalares

Como prevenir acidentes com perfurocortantes?
A NR-32 determina que todo serviço de saúde elabore e implemente um Plano de Prevenção de Riscos de Acidentes com Materiais Perfurocortantes. E isso não deve ser feito de forma isolada: o plano precisa envolver diferentes áreas e ser sustentado por análise de riscos, capacitação e acompanhamento contínuo.
Veja os principais pontos:
1. Comissão gestora multidisciplinar
A instituição de saúde deve montar uma comissão específica para diminuir os riscos de acidentes com materiais perfurocortantes. Ela deve ser formada pela direção clínica, enfermeiros e profissionais representantes de áreas estratégicas, como:
- Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA);
- Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT);
- Comissão de Controle de Infecção Hospitalar;
- Pessoa responsável pela criação do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (PGRSS).
2. Análise de riscos e acidentes
A comissão deve investigar acidentes já ocorridos, mas também analisar de forma ativa as situações de risco nos diferentes setores, cruzando informações do:
- Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR): documento obrigatório previsto na NR-01 e tem como objetivo identificar, avaliar e controlar os riscos existentes no ambiente de trabalho;
- Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO): previsto na NR-07, é complementar ao PGR e tem foco na saúde dos trabalhadores.
Esses dados ajudam a definir prioridades e onde agir primeiro.
3. Estabelecimento de prioridades
Com base nessas análises, a equipe deve focar nos cenários mais críticos:
- Situações com maior risco de transmissão de doenças pelo sangue;
- Procedimentos com alta frequência de acidentes;
- Etapas como limpeza ou descarte com maior exposição;
- Número de trabalhadores afetados.
4. Medidas de controle em ordem de prioridade
A NR-32 estabelece uma hierarquia clara de ações:
- Eliminar o uso de perfurocortantes sempre que possível;
- Implantar coletores de descarte;
- Utilizar materiais com dispositivo de segurança;
- Rever rotinas de trabalho e capacitar continuamente.
Na prática, a primeira medida (eliminar o uso de perfurocortantes) é inviável, já que agulhas, bisturis e outros materiais são indispensáveis em diversos procedimentos de saúde.
Por isso, ganha ainda mais importância a terceira medida, que prevê o uso de dispositivos de segurança.
5. Escolha de materiais mais seguros
A substituição de materiais deve ser planejada e testada antes de ser adotada em larga escala. A comissão precisa avaliar:
- Quais dispositivos devem ser substituídos primeiro;
- Quais critérios usar para testar e selecionar novos materiais;
- Como o material se comporta na prática em relação à segurança, ao cuidado com o paciente e à eficiência do procedimento.
6. Treinamento da equipe
Todo trabalhador deve receber capacitação antes de manusear perfurocortantes, com atualizações regulares.
Os treinamentos precisam ser registrados com informações completas sobre conteúdo, datas, carga horária, responsáveis e lista de participantes.
7. Cronograma e acompanhamento
O plano deve incluir um cronograma claro, com prazos definidos para cada etapa. Esse documento precisa estar disponível para fiscalização e consulta pelos trabalhadores.
8. Monitoramento e avaliação
O plano não pode ser estático. Ele precisa ser revisto pelo menos uma vez por ano ou sempre que houver mudanças nos processos de trabalho. A análise de acidentes e exposições é o principal indicador da eficácia das ações.
9. Descarte correto e proibições importantes
A norma também estabelece condutas obrigatórias no descarte de materiais:
- O profissional que utilizou o objeto é o responsável pelo descarte imediato;
- É proibido reencapar agulhas manualmente ou desconectá-las sem dispositivos adequados;
- Os coletores de perfurocortantes devem estar em suportes exclusivos, posicionados em altura acessível e segura.
- O nível máximo de enchimento dos coletores de perfurocortantes deve ser respeitado, devendo ficar a 5 centímetros abaixo da abertura do recipiente.
– Leia também: Normas da Anvisa: entenda sua importância para a segurança e qualidade no setor de saúde
Seringa de Segurança Retrátil Sol-Care da Sol-Millennium
Quando falamos em prevenção, o foco está tanto no cuidado com o manuseio quanto na adoção de dispositivos de segurança. Nesse ponto, vale destacar um trecho da NR 32: “32.2.4.15 São vedados o reencape e a desconexão manual de agulhas.”
Essa determinação é importante porque garante maior segurança no ambiente de trabalho, reduzindo riscos de acidentes com perfurocortantes.
Um exemplo de dispositivo que atende plenamente a essa exigência são as agulhas com proteção retrátil, como a Seringa de Segurança Retrátil Sol-Care da marca Sol-Millennium, disponível aqui na Med Supply.
Ela está em total conformidade com a NR-32, pois esse modelo faz a retração total da agulha para dentro do cilindro da seringa, impedindo o reencape e a reutilização. Saiba mais no vídeo a seguir:
O que fazer em acidentes com perfurocortantes?
Mesmo com todas as medidas de prevenção, caso um acidente ocorra, a agilidade na resposta é fundamental para minimizar os riscos de infecção. O protocolo deve ser seguido rigorosamente por todos os profissionais da instituição.
Em primeiro lugar, é necessário realizar o cuidado imediato com a área atingida: lavar o ferimento abundantemente com água e sabão. É importante reforçar que não se deve apertar ou espremer o local, pois isso pode agravar a lesão e facilitar a entrada de microrganismos.
Na sequência, o profissional deve:
- Comunicar imediatamente a chefia direta e o SESMT: A notificação rápida permite que as medidas profiláticas sejam tomadas dentro da janela de tempo ideal;
- Identificar o paciente-fonte: Sempre que possível, deve-se verificar o histórico clínico do paciente com quem o material foi utilizado para avaliar o risco de transmissão;
- Encaminhar para atendimento médico especializado: O acidentado deve passar por avaliação para a realização de exames laboratoriais e, se necessário, iniciar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP);
- Emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho): Este é um documento obrigatório para o registro legal do ocorrido, garantindo os direitos do trabalhador.
Afinal, a transparência na comunicação desses eventos é o que permite à comissão gestora revisar o Plano de Prevenção e identificar onde as barreiras de segurança falharam, evitando que novos acidentes aconteçam.
– Leia também: Desinfetante de alto nível: o que é, tipos e como escolher o mais adequado
FAQ: as pessoas também perguntam
Reunimos a seguir as principais dúvidas sobre acidentes com materiais perfurocortantes. Confira:
São ocorrências em que o profissional da saúde sofre cortes, perfurações ou escoriações causadas por instrumentos com ponta ou gume, como agulhas, bisturis, lâminas ou ampolas de vidro quebradas, geralmente contaminados com fluidos biológicos, representando risco não apenas pelo ferimento físico, mas principalmente pela possível exposição a agentes infecciosos.
Os principais riscos estão relacionados à exposição ocupacional a agentes biológicos presentes no sangue, como os vírus da hepatite B, hepatite C e HIV, além de ferimentos físicos, impacto emocional, necessidade de acompanhamento médico, afastamentos do trabalho e possíveis consequências legais e institucionais para os serviços de saúde.
A prevenção envolve a aplicação das diretrizes da NR-32, incluindo a elaboração e execução de um Plano de Prevenção de Riscos, uso de dispositivos de segurança, descarte imediato e correto dos materiais, proibição do reencape manual de agulhas, capacitação contínua da equipe, análise de riscos, monitoramento de acidentes e adoção de insumos mais seguros, como materiais com mecanismos de proteção.
Em caso de acidente com perfurocortante, o profissional deve lavar imediatamente o local atingido com água e sabão, sem apertar ou espremer a área, comunicar a chefia e o SESMT, identificar o paciente-fonte quando possível, buscar atendimento médico para avaliação, exames e possível início da profilaxia pós-exposição, além de emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho para garantir o registro e os direitos trabalhistas.
Reduza riscos com a ajuda da Med Supply!
A Seringa de Segurança Retrátil Sol-Care, da Sol-Millennium, foi desenvolvida para atender às exigências da NR-32, oferecendo proteção real para os profissionais da saúde.
Com sistema de retração manual, trava de segurança, bico Luer Lock e êmbolo anti-reuso, é uma solução confiável para quem busca mais segurança no cuidado diário.
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Referências
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32): segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Atualizada até a Portaria MTP nº 4.219, de 20 de dezembro de 2022. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-32/view. Acesso em: 8 jul. 2025.
Imagem de capa: Freepik/EyeEm

Enfermeira formada pela Universidade FUMEC | Especialista em Auditoria e Gestão da Qualidade pela Universidade UNA | Consultora Técnica na empresa Med Supply. LinkedIn: @micheleeps.


