Limpeza de endoscópios: como fazer?

Profissional de saúde realizando limpeza de endoscopios com equipamento hospitalar

A limpeza de endoscópios é uma das rotinas mais críticas nos serviços de saúde. Esses equipamentos são essenciais para diagnóstico e tratamento de doenças do trato gastrointestinal, mas possuem estrutura complexa, com canais longos e delicados, o que torna a limpeza de endoscópios um processo desafiador e altamente técnico.

Quando alguma fase é executada de forma incompleta, há maior risco de acúmulo de matéria orgânica, formação de biofilme e transmissão de microrganismos entre pacientes.

Desafios no reprocessamento de endoscópios

De acordo com o artigo “Processamento de Endoscópios Flexíveis: a execução das etapas sob a ótica dos profissionais”, mesmo em serviços que já contam com protocolos bem estruturados, o fator humano ainda aparece como a principal causa de reprocessamento inadequado. 

O estudo analisou a percepção dos profissionais envolvidos na rotina e revelou que diversos desafios operacionais comprometem a execução correta das etapas de limpeza de endoscópios. 

Entre os dados levantados, destacam-se:

  • 60% declaram pressão para concluir o processamento rapidamente, tornando o trabalho mentalmente exaustivo;
  • 40% informam que há o uso excessivo da memória, já que o profissional precisa lembrar inúmeras etapas sequenciais e específicas para cada fabricante;
  • 40% dos profissionais relatam sobre a falta de conhecimento técnico ou capacitação insuficiente para executar todas as fases com precisão;
  • 20% informa sobre a ausência de visibilidade interna dos canais, o que impede a avaliação direta da qualidade da limpeza e favorece falhas.

Passo a passo da limpeza de endoscópios

A seguir, estão as principais etapas do processamento, com foco especial na fase de limpeza de endoscópios.

1. Teste de vedação

O teste de vedação deve ser feito antes de qualquer contato do endoscópio com líquidos. Ele tem a função de identificar perfurações, fissuras ou outros danos que permitam a entrada de água, secreções ou soluções químicas na estrutura interna do equipamento. 

Quando essa etapa é ignorada, aumenta o risco de infiltração de matéria orgânica e saneantes, o que pode gerar danos estruturais, comprometer a desinfecção e favorecer a transmissão de microrganismos.

2. Pré-limpeza de endoscópios

Logo após o uso, o endoscópio deve passar pela pré-limpeza. O objetivo é remover as sujidades mais grosseiras e impedir que sangue, secreções e outros resíduos sequem e se fixem na superfície e nos canais internos. 

Essa etapa é uma das mais relatadas como omitidas, apesar de ser decisiva para o sucesso da limpeza de endoscópios nas fases seguintes. 

Quanto mais eficiente for a pré-limpeza, menor será a carga orgânica que chegará à etapa de limpeza manual.

3. Limpeza manual

É considerada uma das fases mais difíceis e, ao mesmo tempo, uma das mais importantes de todo o processo. Sem uma limpeza de endoscópios manual adequada, a desinfecção não será efetiva. 

A eficácia depende diretamente do uso de escovas apropriadas, com diâmetro compatível com cada canal e capacidade de fricção completa em toda a extensão interna.

Nessa fase, o profissional deve preparar o equipamento com o detergente enzimático (Aniosyme Synergy 5 e Aniosyme X3). O indicado é escovar cuidadosamente as áreas das válvulas e trabalhar canal por canal, com as escovas de limpeza (mais adequada de acordo com o equipamento): 

Esse acessório possui cerdas em ambas as extremidades, alcança toda a extensão dos canais e proporciona fricção homogênea. 

E é indicada não só para endoscópios, mas também para outros dispositivos flexíveis, como artroscópios, cistoscópios, colonoscópios e laparoscópios.

Quando o profissional associa a técnica correta à escolha de escovas adequadas, o risco de resíduos orgânicos persistirem, principalmente em áreas não visíveis, é significativamente reduzido.

4. Enxágue

Depois da limpeza manual, o equipamento deve ser bem enxaguado. É importante utilizar água corrente e seguir as orientações do fabricante para o uso de acessórios próprios para enxágue dos canais, sempre com baixa pressão.

5. Desinfecção de alto nível

Nessa fase, o equipamento é imerso em solução desinfetante de alto nível adequada, respeitando o tempo mínimo de contato indicado pelo fabricante do produto e do próprio endoscópio. 

O objetivo é inativar a maior parte dos microrganismos, garantindo que o aparelho esteja seguro para um novo uso.

6. Secagem

A secagem completa, tanto das superfícies externas quanto dos canais internos, é indispensável. 

Umidade residual favorece o crescimento microbiano e é uma falha frequentemente apontada em auditorias. 

A combinação de ar comprimido, técnica adequada e, quando indicado, uso prévio de álcool auxilia na eliminação de água retida e aumenta a segurança da rotina.

7. Armazenamento

Após a secagem, o endoscópio deve ser armazenado em armários limpos, ventilados, de fácil higienização e protegidos da luz solar direta, como o Armário higienizador para Endoscópios Endoclear

O equipamento deve ser pendurado em posição vertical, com a seção de controle voltada para cima, evitando tração excessiva do cabo. 

As válvulas precisam ser removidas para permitir a ventilação adequada dos canais enquanto o aparelho está estocado. 

Manter o ambiente de armazenamento limpo e organizado é parte integrante de uma rotina segura de limpeza de endoscópios.

Faq: as pessoas perguntam 

Como é feita a limpeza do endoscópio?

A limpeza do endoscópio faz parte de um processamento rigoroso que envolve pré-limpeza, limpeza manual com detergente enzimático, enxágue, desinfecção de alto nível, secagem e armazenamento. 

Cada etapa deve ser realizada de forma sequencial para evitar biofilme e garantir segurança ao paciente.

Qual é a função do endoscópio?

O endoscópio permite a visualização interna do trato gastrointestinal por meio de imagens diagnósticas em alta resolução. 

Ele é usado para investigar sintomas, identificar lesões e realizar procedimentos terapêuticos minimamente invasivos, sendo uma ferramenta essencial na gastroenterologia.

Como é feito o teste de vazamento em endoscópios?

O teste de vazamento é realizado antes da limpeza para verificar a integridade do equipamento. 

Ele identifica perfurações ou falhas que possam permitir a entrada de líquidos nos canais internos. Embora simples, é uma etapa crítica e frequentemente negligenciada no reprocessamento.

Tudo o que você precisa para limpeza de endoscópios está na Med Supply

Garanta um reprocessamento seguro e padronizado. Aqui na Med Supply, você encontra: 

Fale com nosso time e monte o kit ideal para a sua endoscopia.

Referências

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM ENDOSCOPIA GASTROINTESTINAL (SOBEEG). Manual de Limpeza e Desinfecção de Aparelhos Endoscópicos. Brasília: Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 2006. 22 p. Disponível em: https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2014/11/Manual-de-limpeza-e-desinfeccao-de-aparelhos-endoscopicos.pdf

MATI, Maria Letícia; OLIVEIRA, Adriana. Processamento de endoscópios flexíveis: a execução das etapas sob a ótica dos profissionais. Revista SOBECC, São Paulo, v. 29, e2429996, 2024. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/download/996/912/6438

Conteúdo Relacionado