Atendimento pré-hospitalar (APH): Guia para Médicos e Enfermeiros socorristas 

Dois socorristas realizando atendimento pre-hospitalar dentro de ambulancia com oxigenio e soro para paciente em maca

O atendimento pré-hospitalar (APH) ocupa uma posição estratégica dentro da cadeia de sobrevivência. É nele que decisões críticas são tomadas em minutos, muitas vezes em ambientes instáveis, com recursos limitados e sob intensa pressão emocional. 

Para médicos e enfermeiros socorristas, atuar no APH exige raciocínio clínico rápido, liderança, preparo emocional e capacidade de priorização.

Nesse contexto, a incorporação de tecnologias point-of-care, como o analisador portátil i-STAT, representa um avanço para qualificar decisões clínicas ainda no local ou durante o transporte, reduzindo o tempo até o tratamento definitivo.

Como fazer um bom atendimento pré-hospitalar (APH)?

Profissionais de saúde precisam passar por 5 etapas ao atender o paciente. São elas: 

1) Avaliação do local: 

A avaliação da cena é o primeiro passo do atendimento pré-hospitalar e começa antes mesmo do contato com o paciente. 

O socorrista precisa identificar imediatamente riscos como tráfego intenso, fios elétricos soltos, vazamento de produtos perigosos e situações de violência. 

A equipe precisa identificar rapidamente se está diante de um caso traumático, como colisão ou queda, ou de uma emergência clínica.

2) Atendimento inicial do paciente

A avaliação inicial no atendimento pré-hospitalar não tem o objetivo de fechar um diagnóstico completo. 

Ela é um processo rápido, estruturado e extremamente objetivo, feito para identificar e corrigir, imediatamente, o que pode levar à morte em poucos minutos.

Protocolo para pacientes conscientes:

Antes de qualquer intervenção, o socorrista se identifica e, se a pessoa estiver consciente, pede permissão para ajudar. 

Em seguida, avalia rapidamente o nível de consciência pela escala AVDI:

  • A (Alerta): está acordado e responde normalmente?
  • V (Verbal): responde quando é chamado?
  • D (Dor): reage apenas a estímulo doloroso?
  • I (Inconsciente): não responde a nenhum estímulo?

Essa avaliação já orienta a urgência das próximas etapas e ajuda a definir risco imediato.

Paciente inconsciente, confuso ou com sinais de gravidade: 

Aplica-se o protocolo ABC, com foco no que precisa ser corrigido primeiro:

  • A: vias aéreas com atenção à coluna cervical: a prioridade é garantir a passagem de ar. Quando há suspeita de trauma, a estabilização manual da coluna cervical deve acontecer imediatamente para evitar agravamento de lesões medulares.
  • B: respiração: aqui a equipe checa se a ventilação é efetiva ao ver a expansão do tórax, ouvir o som respiratório e sentir o fluxo de ar. Se a respiração estiver ausente ou insuficiente, inicia-se ventilação assistida com reanimador manual (Ambu) conectado ao oxigênio.
  • C: circulação:  neste ponto, verifica-se pulso e busca-se ativamente por hemorragias importantes. Sangramentos graves precisam ser contidos de imediato.  Um equipamento que pode auxiliar essa avaliação é o i-STAT. Com resultados em poucos minutos, é possível avaliar os níveis de lactato e hemoglobina que ajudam a indicar hipóxia tecidual e perda sanguínea interna que nem sempre ficam evidentes no exame físico.

Com base no que foi encontrado na avaliação inicial, o paciente é classificado usando a escala CIPE:

  • C (Crítico): parada cardiorrespiratória;
  • I (Instável): inconsciência, choque, dificuldade respiratória severa;
  • P (Potencialmente instável): choque compensado;
  • E (Estável): sinais vitais dentro do esperado.

Para pacientes críticos e instáveis, o tempo de permanência no local da ocorrência não deve ultrapassar cinco minutos.

3) Avaliação dirigida no atendimento pré-hospitalar

Esse é o momento de entender melhor o que está acontecendo. Essa etapa se apoia em dois pontos principais: entrevista e a análise de sinais vitais.

Entrevista:

Quando o paciente está consciente, a conversa é objetiva e direcionada. O socorrista coleta dados essenciais como identificação, o que aconteceu e há quanto tempo, histórico do quadro, doenças prévias, medicamentos em uso e alergias. Além de informar, o diálogo ajuda a acalmar o paciente e melhora a cooperação durante o atendimento.

Análise de sinais e sintomas:

O socorrista vai precisar analisar dois tipos:

  • Sinais vitais: pulso, respiração, pressão arterial e avaliação de pele e temperatura;
  • Sintomas: dor, náusea, tontura, falta de ar, etc.

Onde o i-STAT fortalece a avaliação dirigida

O i-STAT é um analisador sanguíneo portátil, com resultados em minutos na beira do leito do paciente, que ajuda a confirmar suspeitas com rapidez, como:

  • Uso de anticoagulantes e risco de sangramento ao avaliar (PT/INR);
  • Dor no peito com suspeita de infarto (Troponina e CK-MB);
  • Falta de ar para diferenciar causa cardíaca de causa respiratória (BNP).

4) Avaliação física detalhada

O “Manual de Atendimento Pré-Hospitalar” orienta uma sequência lógica de avaliação:

  1. Cabeça e face
    O socorrista examina couro cabeludo, testa e face, buscando sangramentos que podem estar ocultos pelo cabelo. Também observa pálpebras, olhos e pupilas, nariz e ouvidos, com atenção para possíveis saídas de sangue ou líquor, além de avaliar a cavidade oral.
  2. Pescoço
    Antes da colocação definitiva do colar cervical, avaliam-se as regiões anterior, lateral e posterior do pescoço, procurando sinais como desvio de traqueia ou distensão de veias jugulares.
  3. Ombros e tórax
    Clavículas e ombros são palpados em busca de dor e instabilidade. No tórax, a equipe observa assimetrias respiratórias, dor à palpação e sinais de instabilidade.
  4. Abdômen
    O exame é feito por quadrantes, procurando rigidez, distensão e dor, sinais que podem sugerir hemorragia interna ou lesão abdominal relevante.
  5. Pelve e genitais
    A estabilidade da bacia é verificada com cautela, para evitar agravar fraturas. A região genital também é observada, considerando sinais como sangramentos.
  6. Extremidades
    A avaliação é feita membro a membro, verificando três pontos essenciais: pulso (circulação), motricidade (movimento) e sensibilidade.
  7. Dorso
    Normalmente realizada durante o rolamento em bloco para a prancha, com inspeção completa das costas e da coluna vertebral.

5) Avaliação continuada: 

No ambiente dinâmico da ambulância, a reavaliação precisa seguir um ritmo bem definido, de acordo com a gravidade:

  • Pacientes críticos: reavaliar após cada manobra de reanimação ou intervenção maior.
  • Pacientes instáveis: revisar sinais vitais e exame físico a cada 5 minutos.
  • Pacientes estáveis: reavaliar em intervalos de 15 minutos.

O i-STAT fortalece a avaliação contínua do paciente

Veja como esse analisador sanguíneo portátil da Abbott pode ajudar:

5.1) Acompanhar tendências, não apenas números isolados

Em transferências secundárias ou transportes longos, a equipe pode repetir testes e acompanhar a evolução. Um exemplo prático é o lactato: medições seriadas ajudam a entender se a perfusão está melhorando ou se o paciente segue em sofrimento celular, mesmo com pressão arterial aparentemente aceitável.

5.2) Ajustar a ventilação

Em pacientes intubados, o i-STAT pode fazer a gasometria arterial ou venosa durante o trajeto, obtendo dados objetivos como pH e CO2. 

5.3) Preparar o hospital antes da chegada

Outro ganho direto é a comunicação antecipada. Resultados obtidos no transporte podem ser repassados ao serviço de destino. Assim, o hospital pode mobilizar equipe, centro cirúrgico e banco de sangue antes mesmo da ambulância chegar.

Leve o diagnóstico para dentro da ambulância

No atendimento pré-hospitalar, tempo é decisão. Quanto antes a informação certa chega, maiores são as chances de um desfecho positivo.

O i-STAT transforma a avaliação no APH, levando exames laboratoriais críticos para o momento em que eles realmente fazem diferença.

Se você atua no APH, conheça o i-STAT. Fale com a nossa equipe e peça uma apresentação.

FAQ: As pessoas também perguntam

O que é o serviço de atendimento pré-hospitalar?

O atendimento pré-hospitalar (APH) é a assistência prestada à vítima logo após um agravo à saúde, no local onde ela se encontra. Atua em situações clínicas, cirúrgicas, traumáticas ou psiquiátricas, com foco em estabilizar o paciente e realizar o transporte adequado para a rede integrada ao SUS, evitando sequelas e óbitos.

Quais são as fases do atendimento pré-hospitalar?

O APH segue um processo estruturado em cinco fases. Começa pela avaliação da cena, passa pela avaliação inicial e dirigida, segue para o exame físico detalhado e se mantém na avaliação continuada durante o transporte, garantindo monitoramento constante até a chegada ao hospital.

Quais são os tipos de APH?

O APH pode ser classificado pela origem da solicitação e pela estrutura. Quanto à origem, pode ser móvel primário, quando o chamado vem do cidadão, ou móvel secundário, quando há transferência entre serviços de saúde. Quanto à estrutura, divide-se em APH fixo e APH móvel, realizado por ambulâncias.

O que faz um profissional de APH?

O profissional de APH é responsável por identificar riscos à vida, prestar o atendimento inicial e transportar o paciente com segurança. Suas funções incluem uso de EPIs, avaliação clínica, intervenções emergenciais e comunicação com a Central de Regulação. Enfermeiros atuam com autonomia, raciocínio clínico e liderança sob pressão.

Como o método START funciona em casos de múltiplas vítimas?

O método START é uma triagem rápida usada quando há mais vítimas do que recursos disponíveis. Ele classifica os pacientes por cores, conforme gravidade e chance de sobrevivência, permitindo priorizar o atendimento e salvar o maior número possível de vidas em pouco tempo.

Quais são os riscos da negligência no uso de EPIs básicos?

A não utilização de EPIs expõe o profissional a riscos biológicos, químicos e físicos, além de aumentar a chance de se tornar uma nova vítima. Isso compromete a segurança da equipe, atrasa o atendimento e pode gerar afastamentos, contaminações e falhas graves na resposta à emergência.

Referências 

ABBOTT POINT OF CARE. i-STAT: PS e Departamentos de Emergência. Princeton: Abbott Point of Care Inc., [s.d.]. Folder.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL. Manual de Atendimento Pré-Hospitalar. Brasília: CBMDF, 2007. 239 p.

CRUZ, Alexandra Roberta da. Atendimento Pré-Hospitalar: uma abordagem sobre a formação específica do enfermeiro. 2014. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Formação Pedagógica para Profissionais de Saúde) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Conselheiro Lafaiete, 2014.

Fale Conosco!

Preencha o formulário abaixo e nossa equipe entrará em contato com você.

Conteúdo Relacionado