Biofilme na ferida: o que é, como identificar, prevenir e tratar corretamente

Profissional de saude com luvas realizando curativo na mao de paciente para tratamento de biofilme na ferida em consultorio

No ambiente hospitalar, o biofilme na ferida representa aumento de tempo de internação, maior consumo de insumos, risco infeccioso elevado e impacto direto nos desfechos clínicos do paciente.

Mais do que compreender sua definição microbiológica, o profissional precisa saber reconhecer seus sinais, agir de forma estratégica e selecionar tecnologias com eficácia comprovada.

Continue a leitura e entenda mais sobre esses microrganismos. Até o final, confira:

  • O que é biofilme na ferida e por que ele é tão resistente?
  • O desafio do diagnóstico: como identificar biofilme na ferida?
  • Estratégia eficaz para ferida com biofilme
  • FAQ: dúvidas frequentes
  • Controle o biofilme na ferida dos seus pacientes!

Resumo

  • Biofilme é uma comunidade estruturada de microrganismos protegida por uma matriz (EPS), muito mais resistente que bactérias planctônicas isoladas, e mantém a ferida em inflamação crônica, travada na fase inflamatória;
  • O diagnóstico é clínico e indireto, já que culturas por swab costumam falhar. Sinais de alerta: estagnação por mais de quatro semanas, tecido friável, exsudato excessivo e infecção recorrente;
  • O manejo segue quatro pilares: desbridamento para romper a matriz, uso de produtos específicos como PHMB ou Cadexômero de Iodo, prevenção da recorrência (controle de exsudato e espaço morto) e reavaliação constante da lesão;
  • Produtos incluem Pielsana Polihexanida, Curativo Iodosorb™ e Allevyn Não Adesivo, disponíveis na MedSupply. O tratamento com antimicrobianos deve durar 7 a 14 dias, seguido de avaliação para decidir manter ou suspender a terapia.

O que é biofilme na ferida e por que ele é tão resistente?

Diferentemente das bactérias planctônicas, que vivem de forma isolada e apresentam maior suscetibilidade a antimicrobianos, o biofilme na ferida é uma comunidade estruturada de microrganismos aderida ao leito da lesão.

Esses microrganismos organizam-se e passam a produzir uma matriz protetora chamada Substância Polimérica Extracelular (EPS), composta por:

  • Polissacarídeos;
  • Proteínas;
  • DNA extracelular.

Essa matriz funciona como uma barreira protetora que:

  • Dificulta o reconhecimento e a fagocitose pelo sistema imunológico;
  • Reduz significativamente a penetração de antibióticos sistêmicos;
  • Limita a ação de antissépticos convencionais.
  • Mantém a ferida em estado inflamatório crônico.

Esse ambiente inflamatório persistente eleva os níveis de metaloproteinases (MMPs) e espécies reativas de oxigênio (ERO), degradando fatores de crescimento e tecido viável. 

O resultado é uma lesão que permanece presa na fase inflamatória, sem progressão para granulação e epitelização adequadas.

O desafio do diagnóstico: como identificar biofilme na ferida?

O biofilme é microscópico e invisível a olho nu. Culturas por swab frequentemente falham na sua detecção, pois capturam bactérias livres da superfície, mas não a colônia organizada protegida pela matriz de EPS.

Por isso, no contexto hospitalar, o diagnóstico é clínico e indireto. Deve-se suspeitar fortemente de biofilme quando a ferida apresenta:

  • Estagnação por mais de quatro semanas, apesar de conduta adequada;
  • Tecido de granulação friável, que sangra facilmente;
  • Exsudato excessivo sem causa sistêmica evidente;
  • Infecção local recorrente ou de difícil controle;
  • Presença de material brilhante ou gelatinoso que reaparece rapidamente após a limpeza.

A persistência desses sinais indica alta probabilidade de colonização organizada por biofilme.

– Leia também: Escala de Braden: o que é, para que serve, como funciona e quando usar

Estratégia eficaz para ferida com biofilme

O manejo do biofilme exige abordagem ativa e sistematizada. A estratégia deve se basear em alguns pilares: desbridamento, uso de produtos próprios, prevenção da recorrência e reavaliação constante.

Profissional de saúde removendo biofilme da ferida com pinça e gaze
Remover o biofilme da ferida corretamente exige técnica adequada de desbridamento para favorecer o processo de cicatrização | Imagem por Magnific/supharb99

1. Desbridamento

Nenhum antimicrobiano atua de forma eficaz sobre um biofilme intacto. A primeira conduta é romper fisicamente essa estrutura. Pode ser instrumental, mecânico ou autolítico, conforme protocolo institucional e condição clínica do paciente.

Objetivos:

  • Remover tecido desvitalizado;
  • Desorganizar a matriz do biofilme;
  • Expor bactérias protegidas à ação dos agentes tópicos.

2. Use produtos próprios para a eliminação do biofilme

O modelo tradicional de limpar e cobrir não é suficiente diante do biofilme na ferida.. É necessário utilizar produtos que:

  • Atuem sobre bactérias expostas após ruptura;
  • Sejam eficazes mesmo na presença de matéria orgânica;
  • Apresentem ação sustentada;
  • Possuem perfil de segurança adequado ao tecido viável.

Nesse caso o ideal é utilizar produtos com PHMB ou Cadexômero de Iodo.

PHMB (Polihexametileno Biguanida)

Atua desestabilizando a membrana bacteriana e interferindo na replicação do DNA, o que contribui para reduzir a carga microbiana no leito da lesão. 

Entre os principais benefícios do PHMB na ferida estão a baixa citotoxicidade, boa tolerabilidade tecidual, ausência de evidência significativa de resistência bacteriana e potencial contribuição para maior conforto do paciente.

Alguns produtos que podem ser utilizados são: 

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Cadexômero de Iodo

Ele é formado por microesferas de amido que absorvem o exsudato do leito da ferida e, conforme esse fluido é absorvido, liberam iodo a 0,9% de forma lenta e sustentada, mantendo atividade antimicrobiana por até 72 horas. 

Essa dinâmica favorece redução contínua da carga bacteriana, ajuda a desidratar a matriz do biofilme e pode auxiliar no desbridamento autolítico, com menor risco de citotoxicidade quando comparado a aplicações de iodo em altas concentrações.

Na prática, é especialmente indicado para feridas com exsudato moderado a elevado e suspeita de biofilme. 

Um produto que pode ser utilizado nesse caso é o Curativo Antimicrobiano Iodosorb™ indicado para feridas crônicas e infectadas. 

3. Prevenção da recorrência

Após romper e tratar o biofilme, o foco passa a ser impedir sua reorganização.

  • Controle do exsudato: o excesso favorece a proliferação bacteriana. Curativos com alta capacidade de absorção e retenção são fundamentais para manter equilíbrio do microambiente;
  • Manejo do espaço morto: feridas cavitárias devem ser preenchidas adequadamente para evitar acúmulo de exsudato e crescimento bacteriano oculto.

Para enfrentar esses desafios, o curativo Allevyn Não Adesivo, com ou sem prata, oferece uma solução eficaz ao absorver o excesso de exsudato e auxiliar na proteção de áreas com espaço morto.

4. Reavaliação constante

A eficácia do tratamento deve ser monitorada rigorosamente. Por isso, reavalie a lesão a cada troca de curativo ou pelo menos uma vez por semana para garantir que a ferida saiu do estado inflamatório e está progredindo.

O uso contínuo de produtos antimicrobianos, como curativos à base de prata ou PHMB, deve ser feito inicialmente por um período de 7 a 14 dias, seguido de uma avaliação crítica da evolução do tecido de granulação e redução dos sinais de infecção para decidir sobre a manutenção ou suspensão da terapia.

– Leia também: Banho no leito: o que é e por que utilizar toalhas umedecidas para a prática no CTI/UTI

FAQ: dúvidas frequentes

O que é biofilme na ferida?

É uma comunidade microscópica organizada de bactérias e fungos aderida ao leito da ferida, protegida por uma matriz chamada EPS (polissacarídeos, proteínas e DNA). Essa barreira funciona como um escudo, reduzindo a ação do sistema imune e de antibióticos/antissépticos. Na prática, mantém a ferida em inflamação crônica e impede a cicatrização.

O que causa o biofilme?

Ele se forma quando microrganismos livres contaminam a ferida e conseguem se fixar no leito, superando as defesas do paciente. O processo é favorecido por acúmulo de exsudato, presença de espaço morto, túneis e descolamentos. Comorbidades que reduzem a imunidade ou perfusão também aumentam o risco de estabelecimento do biofilme.

Quais são os 5 estágios do biofilme?

O biofilme evolui em cinco fases: aderência reversível (ainda removível por limpeza), aderência irreversível (fixação e início de comunicação), fase secretora (produção da matriz EPS), crescimento e maturação (estrutura complexa com canais internos) e dispersão (microrganismos se soltam e colonizam novas áreas).

Como identificar biofilme na ferida?

O biofilme é microscópico e culturas por swab costumam falhar em detectá-lo. Por isso, o diagnóstico é clínico e indireto: deve-se suspeitar quando a ferida apresenta estagnação por mais de quatro semanas, tecido de granulação friável, exsudato excessivo sem causa aparente, infecção recorrente ou material brilhante/gelatinoso que retorna logo após a limpeza. A persistência desses sinais aponta para alta probabilidade de biofilme.

Como tirar o biofilme da ferida?

A remoção exige estratégia proativa “limpar, romper e cobrir”. Primeiro, faça uma limpeza vigorosa e desbridamento para romper a matriz e remover tecido inviável. Em seguida, aplique imediatamente antimicrobianos tópicos eficazes para aproveitar a janela terapêutica, já que o biofilme pode se refazer em 24 horas. Complete com controle de exsudato e preenchimento de cavidades para evitar acúmulo de fluido.

Controle o biofilme na ferida dos seus pacientes

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Referências 

  • MONTEIRO, Elisangela Manguinho et al. Presença do biofilme e as consequências para cicatrização da ferida: revisão narrativa. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 99, n. 3, e025113, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.31011/reaid-2025-v.99-n.3-art.2290;
  • PERCIVAL, Steven L.; MCCARTY, Sara M.; LIPSKY, Benjamin. Biofilms and Wounds: An Overview of the Evidence. Advances in Wound Care, New Rochelle, v. 4, n. 7, p. 373–381, jul. 2015. DOI: 10.1089/wound.2014.0557;
  • GONZÁLEZ, Carol Viviana Serna et al. Análise da “1ª Recomendação Brasileira para o Gerenciamento do Biofilme em Feridas Crônicas e Complexas”. ESTIMA, Brazilian Journal of Enterostomal Therapy, v. 17, e1819, 2019. DOI: https://doi.org/10.30886/estima.v17.783_PT;
  • SBACV CARDINALHEALTH; SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR (SBACV). Aspectos Práticos no uso do Curativo PHMB no Tratamento de feridas. [S.l.]: CardinalHealt];
  • Material Comercial / Catálogo de Produtos – DBS (Linha Pielsana) DBS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA;
  • Material Completo Pielsana: Sabonete antisséptico com PHMB, Polihexanida Solução Aquosa, Hidrogel, Óleo e Dermamon. Bom Jesus dos Perdões, SP: DBS;
  • MEDSUPPLY. Curativo Antimicrobiano Iodosorb™ | Smith&Nephew. MedSupply Biometdica, 2025. Catálogo de Produtos online;
  • MEDSUPPLY. Pielsana Polihexanida Gel | DBS. MedSupply Biomedica, 2025. Catálogo de Produtos online;
  • MEDSUPPLY. Pielsana Polihexanida Solução Aquosa | DBS. MedSupply Biomedica, 2025. Catálogo de Produtos online.

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