Feridas com exsudato são grandes desafios no ambiente hospitalar. Quando produzida em excesso, o manejo torna-se ainda mais complexo para as equipes multidisciplinares.
Sabe-se bem que esse fluido é um dos principais aspectos a serem avaliados e, quando mal gerenciado, pode comprometer seriamente o processo de reparação tecidual.
Neste guia, você vai ver condutas e inovações baseadas em evidências para o tratamento eficaz de feridas exsudativas, garantindo um ambiente ideal para a cicatrização.
Continue a leitura e confira nos tópicos a seguir:
- O que é exsudato?
- Os perigos invisíveis do biofilme
- Como o conceito TIME orienta a avaliação antes do tratamento de feridas com exsudato
- Soluções antimicrobianas para o tratamento de feridas com exsudato
- FAQ: dúvidas frequentes
- Melhore o manejo de feridas com exsudato
Resumo
- O exsudato é o fluido que a ferida produz quando a permeabilidade vascular aumenta durante a fase inflamatória da cicatrização. Pode ser seroso, sanguinolento, purulento ou misto, e nas feridas crônicas o excesso, rico em citocinas inflamatórias e proteases, provoca maceração da margem e da pele perilesional;
- Em feridas crônicas, o biofilme está presente em cerca de 78% dos casos e se forma e amadurece em apenas 48 a 72 horas, criando uma barreira que impede a ação de antimicrobianos e do sistema imune. Como não é visível a olho nu, passa despercebido e mantém a ferida em inflamação persistente;
- O conceito TIME organiza a avaliação da ferida antes do tratamento, olhando para o tecido inviável (desbridamento), a infecção ou inflamação (limpeza e estratégia antibiofilme), o desequilíbrio de umidade (curativos que mantenham o leito úmido e a pele perilesional seca) e a borda da ferida (investigar estagnação e intervir, do novo desbridamento ao enxerto de pele).
- Entre as soluções para feridas com exsudato estão o PHMB (polihexanida), antisséptico para limpeza e irrigação, o IODOSORB™, que combina Cadexômero e 0,9% de iodo para romper o biofilme, os curativos de espuma hidrocelular ALLEVYN®, que controlam o exsudato e protegem a pele perilesional, e o OPSITE™ Post-Op Visible, curativo pós-operatório que permite visualizar a incisão sem retirá-lo;
- Todos esses produtos, de antimicrobianos a curativos de espuma e pós-operatórios, estão disponíveis na distribuidora Med Supply.
O que é exsudato?
O exsudato é o fluido que a ferida produz quando a permeabilidade vascular aumenta durante a fase inflamatória da cicatrização. Ele é formado por água, eletrólitos, proteínas, leucócitos, fatores de crescimento e enzimas.
Em volume adequado, ele mantém o leito úmido, favorece a migração celular e participa do desbridamento autolítico. Vira um problema quando o volume, a cor ou o odor saem do esperado.
O exsudato pode apresentar os seguintes aspectos:
- Seroso: plasmático, aquoso e transparente. Costuma aparecer em lesões limpas;
- Sanguinolento: contém sangue e muitas vezes indica lesão vascular;
- Purulento: espesso, formado por leucócitos e microrganismos vivos ou mortos. A cor varia entre amarelo, verde e marrom, conforme o agente infeccioso;
- Serossanguinolento e piossanguinolento: têm características mistas.
Nas feridas crônicas, o exsudato costuma ter mais citocinas inflamatórias e proteases, que degradam a matriz extracelular e os fatores de crescimento. Quando está em excesso, provoca maceração da margem e da pele perilesional e aumenta o risco de novas lesões e infecções.
– Leia também: Escala de Braden: o que é, para que serve, como funciona e quando usar
Os perigos invisíveis do biofilme
Em feridas crônicas, aquelas que não apresentam progresso após duas semanas, o biofilme está presente em cerca de 78% dos casos e tem um papel decisivo na dificuldade de cicatrização.
Sua grande ameaça está em como se forma e amadurece muito rápido, em apenas 48 a 72 horas, criando uma barreira de microrganismos que impede a ação adequada de antimicrobianos e do sistema imune.
Como não pode ser identificado a olho nu, esse inimigo “invisível” muitas vezes passa despercebido, mantendo a ferida em inflamação persistente e atrasando de forma importante o processo de reparação tecidual.
Como o conceito TIME orienta a avaliação antes do tratamento de feridas com exsudato
De acordo com o material “Condutas e inovações nos cuidados com feridas crônicas” do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), o conceito TIME é uma das principais ferramentas para organizar o raciocínio clínico no cuidado com lesões.
A ideia é simples: em vez de olhar a ferida de forma solta, o profissional avalia sempre esses quatro pilares. Assim, fica mais fácil identificar o que está atrasando a cicatrização e definir a melhor conduta para cada etapa.
Quanto mais ajustados estiverem esses quatro elementos, maiores as chances de o processo cicatricial evoluir de forma adequada. A seguir, um resumo de cada componente do TIME:
T – Tissue (Tecido inviável)
O “T” diz respeito ao tipo e à qualidade do tecido que está no leito da ferida.
- Quando há tecido inviável, necrótico ou muito comprometido, o desbridamento é fundamental;
- Esse desbridamento pode ser mecânico, enzimático, autolítico, biológico ou cirúrgico, sempre com o objetivo de remover o tecido desvitalizado e restaurar uma base saudável para a cicatrização;
- Tecidos mortos favorecem a proliferação de bactérias patogênicas e dificultam a formação de tecido de granulação. Ao removê-los, melhora-se o ambiente para a reparação tecidual.
I – Infection/Inflammation (Infecção ou inflamação)
Aqui, o foco é a carga microbiana e a resposta inflamatória da ferida.
- Feridas com alta contagem de bactérias ou inflamação prolongada tendem a apresentar excesso de citocinas inflamatórias, atividade aumentada de proteases e redução de fatores de crescimento, o que atrapalha a cicatrização;
- Nesses casos, é essencial limpar adequadamente a ferida, avaliar o aspecto clínico e, se necessário, lançar mão de anti-inflamatórios e antimicrobianos;
- Em feridas de difícil cicatrização, considera-se muitas vezes a presença de biofilme, sendo indicada uma estratégia precoce antibiofilme, com higienização rigorosa e uso de coberturas apropriadas.
M – Moisture (Desequilíbrio de umidade)
O “M” trata diretamente do equilíbrio da umidade e do controle do exsudato.
- A cicatrização é favorecida em um ambiente úmido na medida certa. Quando o leito está ressecado, a migração das células epiteliais fica lenta e o processo cicatricial é prejudicado;
- Por outro lado, excesso de exsudato também é um problema: pode causar maceração da borda e da pele ao redor da ferida, aumentando o risco de lesões e infecções;
- Por isso, é importante escolher curativos que mantenham a lesão continuamente úmida, mas com pele perilesional seca, protegida;
- Em casos de grande volume de exsudato, podem ser necessárias técnicas como terapia por pressão negativa ou métodos de compressão, sempre com curativos capazes de absorver o excesso de fluido sem ressecar o leito.
E – Edge (Borda da ferida)
O “E” avalia como as bordas da ferida estão evoluindo.
- Quando a borda não avança, há sinal de estagnação da cicatrização. Isso pode estar ligado à falta de migração de queratinócitos, à resposta inadequada das células da ferida, a alterações na matriz extracelular ou à atividade anormal de proteases;
- Nessa situação, é preciso investigar a causa e pensar em intervenções corretivas, que vão desde novo desbridamento até terapias avançadas, como enxerto de pele;
- Com a estratégia correta, o esperado é ver migração de queratinócitos e avanço gradual da borda, indicador de que a ferida voltou a evoluir.
– Leia também: Protocolo de sepse: o que é e como otimizá-lo para uma assistência mais eficiente e econômica
Soluções antimicrobianas para o tratamento de feridas com exsudato
Agentes antimicrobianos tópicos desempenham um papel fundamental no manejo de feridas crônicas e exsudativas, assim como no cuidado de incisões cirúrgicas.
Veja alguns produtos que podem ser utilizados e que estão disponíveis aqui na Med Supply.
1. Solução antisséptica PHMB (Polihexanida)
A polihexametileno biguanida (PHMB) é um antisséptico em solução usado para limpeza e irrigação de feridas com infecção localizada ou risco aumentado.
É considerada eficaz contra bactérias, fungos, vírus e microrganismos multirresistentes quando utilizada de forma contínua.
Segundo estudos, ela ajuda na redução de biofilme, na melhora da dor e na cicatrização de boa parte das feridas tratadas, sobretudo naquelas com exsudato leve a moderado.
Alguns exemplos de produtos com essa composição são:
- Pielsana Polihexanida Solução Aquosa | DBS;
- Pielsana Polihexanida Gel | DBS;
- Pielsana Polihexanida Sabonete Antisséptico | DBS.

2. Curativo antimicrobiano à base de Cadexômero de Iodo: IODOSORB™
IODOSORB™ é um curativo antimicrobiano inteligente, desenvolvido especificamente para romper o biofilme e criar um ambiente ideal para o reparo tecidual.
Sua tecnologia combina micropartículas de Cadexômero com 0,9% de Iodo elementar, atuando em dupla frente:
- Destruição ativa da barreira do biofilme: alta capacidade de absorção do exsudato, desidratando e desestruturando a matriz protetora do biofilme (SPE). Favorecendo o desbridamento autolítico, ajudando a “limpar” o leito da ferida de forma controlada;
- Eliminação contínua de bactérias (Iodo 0,9%): o iodo é liberado de forma suave, contínua e inteligente, apenas quando a partícula entra em contato com o exsudato. Com a matriz do biofilme rompida, o iodo alcança as bactérias expostas, garantindo um amplo espectro antimicrobiano e reduzindo a chance de o biofilme se restabelecer.

3. Curativos de espuma hidrocelular ALLEVYN® (com e sem prata)
ALLEVYN® é uma gama de curativos de espuma hidrocelular (sem e com prata) desenvolvida especificamente para feridas agudas e crônicas com diferentes níveis de exsudato.
| ALLEVYN Gentle Border Curativo de espuma de três camadas, sem prata, com filme superior respirável, impermeável a água e microorganismos, núcleo hidrocelular que absorve de forma vertical e camada de silicone suave. Ele controla o exsudato, reduz vazamento e mau cheiro, protege a pele perilesional e oferece alto conforto. Ideal para pele mais sensível ou áreas de difícil fixação. | ALLEVYN Ag Gentle Border Associa essa mesma estrutura de espuma com sulfadiazina de prata. Atua como curativo de espuma antimicrobiano para feridas com risco de infecção ou colonização crítica, ao mesmo tempo em que mantém o ambiente úmido e reduz o risco de maceração. | ALLEVYN Life Curativo de espuma de cinco camadas, voltado para feridas com exsudato moderado a alto. Tem núcleo superabsorvente, indicador visual de troca, boa retenção de exsudato e foco em conforto e redução da frequência de trocas, contribuindo para melhor custo-efetividade e bem-estar do paciente. |
4. Curativo pós-operatório: OPSITE™ Post-Op Visible
O OPSITE™ Post-Op Visible é um curativo pós-operatório estéril, indicado para incisões cirúrgicas.
Ele combina um filme transparente impermeável a bactérias com uma espuma hidrocelular absorvente, permitindo visualizar a incisão sem retirar o curativo, o que reduz o risco de contaminação.
Sua alta capacidade de manejo de exsudato ajuda a evitar umidade em excesso, favorece o fechamento da incisão e permite que o paciente tome banho com segurança.

– Leia também: Incisão cirúrgica: como escolher o melhor campo operatório incisional
FAQ: dúvidas frequentes
Reunimos a seguir as principais dúvidas sobre o assunto. Confira.
É o fluido que sai dos vasos sanguíneos para o leito da ferida durante o processo inflamatório. Ele é rico em proteínas, células de defesa e enzimas, e ajuda a manter a umidade necessária para a reparação tecidual.
Sim. Na fase inflamatória, que ocorre entre 1 e 3 dias após a lesão, a produção de exsudato é esperada. Os sinais de alerta são aumento repentino de volume, mudança para aspecto purulento, odor característico e sinais de inflamação ao redor, como edema, eritema, calor e dor.
O transudato se forma por desequilíbrio entre as pressões hidrostática e oncótica, sem processo inflamatório. Por isso é claro e tem pouca proteína e poucas células, como no edema da insuficiência cardíaca. O exsudato resulta da inflamação e do aumento da permeabilidade vascular, e por isso tem mais proteínas, leucócitos e restos celulares.
Nem sempre. O pus é o exsudato purulento, só um dos tipos possíveis. Uma ferida limpa costuma ter exsudato seroso. A presença de pus, junto com odor e piora do leito, indica infecção.
A técnica recomendada é a irrigação com jatos de solução salina isotônica (0,9%). Soluções ácidas ou cáusticas devem ser evitadas, porque comprometem tecidos viáveis. Em feridas com infecção localizada, risco aumentado ou suspeita de biofilme, a limpeza pode incluir antissépticos como o PHMB. A pele perilesional deve ser seca e protegida.
O tratamento começa pela avaliação com o conceito TIME e pelo controle da causa, como a compressão nas úlceras venosas. Depois vêm a limpeza, o desbridamento do tecido inviável, a abordagem antibiofilme quando indicada e a escolha de uma cobertura compatível com o volume de exsudato. Em casos de grande volume, podem ser necessárias terapia por pressão negativa ou métodos de compressão.
A escolha depende do volume de exsudato e do risco de infecção. Para suspeita de biofilme, o IODOSORB™ é indicado. Para exsudato moderado a alto, o ALLEVYN Life atende bem. Para pele sensível, a opção é o ALLEVYN Gentle Border, e o ALLEVYN Ag Gentle Border serve quando há risco de infecção. Nas incisões cirúrgicas, o indicado é o OPSITE™ Post-Op Visible.
Melhore o manejo de feridas com exsudato
Reduza vazamento, odor e troca desnecessária de curativos em feridas exsudativas. Fale com a equipe da distribuidora de produtos hospitalares Med Supply e otimize seu protocolo de tratamento.

Referências:
- CARBINATTO, F. M.; AQUINO JUNIOR, A. E.; BAGNATO, V. S. Condutas e inovações nos cuidados com feridas crônicas. São Carlos: Instituto de Física de São Carlos – USP, 2024.
- SMITH & NEPHEW. OPSITE™ Post-Op Visible: curativo pós-operatório com visualização da incisão. Folheto técnico, 2016.
- SMITH & NEPHEW. Biofilme e atraso na cicatrização: IODOSORB™ 0.9% Cadexomer Iodine. Folder técnico. [S.l.], 2016.

Consultora Técnica da empresa Med Supply. LinkedIn: @debora-bedendo.


