Na rotina hospitalar, especialmente em atendimentos à beira do leito, cada minuto faz a diferença na identificação de pacientes com deterioração clínica. Nesse contexto, a medição do lactato é um exame essencial para a monitorização hemodinâmica em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e Departamentos de Emergência (DE).
Mais do que medir, porém, é fundamental contar com a agilidade e a confiança no resultado. E é justamente nesse ponto que um Point-of-Care, como o analisador sanguíneo portátil i-STAT, se destaca e contribui para tomar decisões clínicas mais rápidas e assertivas.
Continue a leitura e entenda melhor. Até o final, confira:
- O que é lactato e qual a sua importância?
- O que é e para que serve o exame para lactato?
- O desafio do laboratório central e a agilidade do Point-of-Care
- Estudos mostram como o analisador sanguíneo portátil ajuda a acelerar o diagnóstico de lactato
- Vantagens da medição de lactato por Point-of-Care
- Como interpretar e agir de forma assertiva?
- FAQ: dúvidas frequentes
- Decisões mais rápidas começam com resultados na hora
Resumo
- O lactato é um subproduto da quebra da glicose na produção de energia celular. Em condições críticas, como o choque séptico, seu acúmulo no sangue funciona como um indicador rápido de hipóxia e hipoperfusão tecidual, servindo de alerta precoce antes mesmo de alterações na pressão arterial;
- A faixa normal de lactato é de até 2 mmol/L. Valores entre 2 e 4 mmol/L indicam início de comprometimento da perfusão, enquanto níveis acima de 4 mmol/L apontam hipoperfusão grave e alto risco de mortalidade. Mais importante que o dado isolado é o monitoramento sequencial: a queda do lactato sinaliza resposta positiva ao tratamento;
- No fluxo do laboratório central, a amostra precisa ser analisada em até 15 minutos ou mantida em gelo. Caso contrário, as células vermelhas continuam produzindo lactato in vitro, gerando resultados falsamente elevados que podem induzir a erros de conduta médica;
- Dispositivos como o i-STAT, disponíveis na MedSupply, analisam o sangue à beira do leito em apenas 2 minutos com a exatidão do laboratório central. Esse ganho de agilidade otimiza a qualidade da amostra, além de permitir que um único aparelho portátil realize mais de 20 exames diferentes;
- Estudos comprovam que o exame de lactato via POC otimiza a eficiência hospitalar: no Texas, reduziu as internações em UTI em 30% (gerando economia anual de até US$ 2,5 milhões) ao adiantar terapias em 95 minutos; em Bangladesh (2024), a queda rápida do lactato após hidratação permitiu diferenciar o choque hipovolêmico do séptico na emergência e prever a necessidade de inotrópicos.
O que é lactato e qual a sua importância?
O lactato é um subproduto da quebra da glicose durante a produção de energia nas células. Além de servir como combustível para músculos, coração e cérebro, ele é amplamente utilizado na prática clínica como marcador da oxigenação tecidual.
Em condições normais, ele é produzido e eliminado de forma equilibrada, sem gerar acúmulo. Quando esse equilíbrio se rompe, com a produção superando a capacidade de eliminação, o nível sobe no sangue, funcionando como um indicador rápido da gravidade do paciente.
O aumento dos níveis de lactato está tradicionalmente associado à hipóxia e à hipoperfusão tecidual, ou seja, situações em que o oxigênio ofertado às células não atende à demanda do organismo. Por isso, níveis elevados de lactato são frequentemente observados em quadros críticos, como choque séptico.
O que é e para que serve o exame para lactato?
O exame de lactato mede a concentração de lactato no sangue, em mmol/L, e serve tanto para confirmar suspeita de choque ou sepse quanto para acompanhar se o tratamento está funcionando. Na prática, ele ajuda a equipe a decidir se é hora de intensificar a conduta ou se o paciente já está respondendo bem.
Recapitulando as três faixas de interpretação:
- Lactato normal (em geral, até 2 mmol/L): É o valor esperado em pacientes sem sinais de hipoperfusão;
- Lactato elevado (2 a 4 mmol/L): já acende um sinal de alerta, indicando início de comprometimento na perfusão. Costuma ser o gatilho para iniciar reposição volêmica, conforme a Surviving Sepsis Campaign;
- Lactato muito alto (acima de 4 mmol/L): indica hipoperfusão grave e pede intervenção imediata, independente da pressão arterial. Esse patamar está associado a maior risco de mortalidade;
- Lactato baixo, por sua vez, não costuma ter relevância clínica: é o valor de pacientes estáveis, sem sinais de comprometimento hemodinâmico.
Na prática, o que mais importa não é só o valor isolado, mas a tendência: lactato caindo após intervenção sinaliza melhora; estagnado ou subindo, indica que o quadro pode estar piorando.
O desafio do laboratório central e a agilidade do Point-of-Care
No modelo tradicional de exame de lactato, a amostra de sangue é coletada e encaminhada ao laboratório central. O desafio está no tempo: o ideal é que a análise ocorra em até 15 minutos após a coleta.
Quando isso não acontece, ou quando a amostra não é armazenada adequadamente em gelo, os glóbulos vermelhos continuam produzindo lactato in vitro, o que pode levar a valores falsamente elevados e impactar a conduta clínica.
Com o i-STAT, esse processo ganha velocidade e praticidade.
Utilizando tecnologia avançada de biossensor e cartuchos específicos, como o CG4+, o equipamento permite medir lactato e gasometria diretamente ao lado do paciente, com resultados em apenas 2 minutos e exatidão comparável à do laboratório central.

– Leia também: Microcoleta: o que é e como ela pode contribuir com a redução da necessidade de transfusões sanguíneas na UTI Neo?
Estudos mostram como o analisador sanguíneo portátil ajuda a acelerar o diagnóstico de lactato
Veja em detalhes dois estudos que mostram como o i-Stat ajuda a acelerar o diagnóstico de lactato: um estudo sobre redução de internações em uma UTI no Texas e um sobre a diferenciação imediata entre choque séptico e hipovolêmico em um hospital em Bangladesh.
1. Redução de Internações na UTI no Texas
Um caso prático citado no “Estudo de caso do mundo real: Otimizando os protocolos de sepse para reduzir significativamente os custos do tratamento e melhorar os resultados”, da Abbott, implementou medições de lactato POC em um grande centro de trauma com o i-STAT.
O objetivo era aprimorar os protocolos de sepse no departamento de emergência. O uso da análise rápida à beira do leito gerou os seguintes resultados:
- Resposta mais rápida: a equipe conseguiu adiantar a chegada até o primeiro antibiótico e a administração de fluidos em até 95 minutos;
- Menos internações graves: houve uma redução de 30% nas internações na UTI. Constatou-se que até 43% dos pacientes do departamento de emergência que eram transferidos para a UTI com sepse poderiam não precisar desse tratamento se o risco fosse reduzido rapidamente;
- Economia milionária: a mudança no fluxo gerou uma redução de custos de US$ 1,5 milhão no primeiro ano e US$ 2,5 milhões ao ano a partir do segundo ano, somando-se à redução no tempo de ventilação mecânica e no tempo total de internação.
2. Diferenciação imediata entre choque séptico e hipovolêmico
A pesquisa foi realizada no setor de emergência, fora da UTI, do Hospital de Dhaka, em Bangladesh, com adultos gravemente doentes com diarreia aguda.
Os dados foram divulgados no estudo “Point of care lactate for differentiating septic shock from hypovolemic shock in non-ICU settings: a prospective observational study”, publicado no The Lancet Regional Health – Southeast Asia, em novembro de 2024.
No local, o uso de um medidor de lactato portátil, do tipo POCT, no ambiente de emergência mostrou como a análise à beira do leito pode contribuir para decisões mais rápidas e assertivas.
Com a medição feita no próprio local de atendimento, foi possível diferenciar o choque séptico do choque hipovolêmico causado por desidratação grave com mais agilidade.
Os resultados mostraram que, embora ambos os grupos apresentassem lactato elevado na chegada, o acompanhamento com POCT permitiu observar que, após o início da hidratação, o lactato caiu de forma significativamente mais rápida e acentuada nos pacientes com choque hipovolêmico, tanto na 1ª quanto na 6ª hora.
No choque séptico, essa queda não foi tão pronunciada, o que ajudou a diferenciar as duas condições.
Além disso, o uso do lactato POCT logo na admissão também ajudou a prever a necessidade de uso de inotrópicos, com ponto de corte de 3,9 mmol/L.
Esse resultado reforça a importância do POCT como um recurso que apoia a avaliação rápida, o monitoramento em curto intervalo de tempo e uma conduta clínica mais assertiva no ambiente de emergência.

Vantagens da medição de lactato por Point-of-Care
Se a sua instituição de saúde precisa de resultados semelhantes a esses estudos, veja os principais benefícios do i-STAT. A adoção da medição de lactato por Point-of-Care traz vantagens importantes para a rotina assistencial e para o suporte à tomada de decisão clínica:
- Aceleração do tratamento: sem depender do tempo de resposta do laboratório, a equipe consegue agir com mais rapidez diante de situações críticas;
- Melhoria do fluxo assistencial e economia hospitalar: a identificação precoce e o suporte a intervenções mais assertivas ajudam a reduzir internações desnecessárias em UTI em até 30%, além de contribuir para a redução do tempo de internação e dos custos para a instituição;
- Mais segurança na qualidade da amostra: ao realizar o exame à beira do leito, reduz-se a interferência de fatores pré-analíticos relacionados ao transporte e ao atraso na centrifugação da amostra;
- +20 exames em um único dispositivo: um único dispositivo portátil é capaz de analisar marcadores cardíacos, gasometria, química e eletrólitos, coagulação, hematologia e até mesmo fazer a detecção precoce de gravidez com o β-hCG. Basta comprar os cartuchos e usar à beira do leito.
– Leia também: Teste Laboratorial Remoto (TLR): a importância do controle de qualidade e rastreabilidade no procedimento
Como interpretar e agir de forma assertiva?
Ter o resultado em mãos rapidamente é um grande diferencial. Mas, para uma conduta assertiva, a interpretação clínica também exige atenção a alguns pontos importantes:
1. Conheça os valores de referência
Resultados acima do nível determinado exigem atenção e podem indicar a necessidade de monitoramento mais próximo ou de intervenção terapêutica.
2. O nível de lactato ao longo do tempo faz toda a diferença
Quando o lactato inicial está elevado e, após uma intervenção, uma nova medição com o i-STAT mostra a queda, isso sugere melhora da perfusão e resposta positiva ao tratamento.
3. As medições seriadas ajudam a evitar interrupções precoces
A repetição rápida da análise contribui para acompanhar a resposta do paciente à reanimação guiada por metas. Isso ajuda a evitar a suspensão prematura de terapias essenciais. Em contrapartida, um lactato persistentemente elevado ou sem redução após o tratamento pode indicar pior prognóstico.
4. Avalie sempre o quadro completo
O lactato não deve ser analisado isoladamente. Embora seja um importante marcador de hipóxia e hipoperfusão, outras condições também podem interferir em sua produção ou eliminação, como disfunção hepática grave e uso de determinados medicamentos.
Por isso, a análise dos sinais vitais e da evolução clínica, associada aos resultados obtidos com o i-STAT, oferece uma visão mais completa do paciente.
FAQ: dúvidas frequentes
Reunimos aqui as principais dúvidas sobre o assunto. Confira.
É um subproduto da quebra da glicose durante a produção de energia nas células, usado como combustível por músculos, coração e cérebro. Na medicina, funciona como marcador da oxigenação e perfusão dos tecidos.
Ele mede a concentração de lactato no sangue (em mmol/L) e ajuda a confirmar suspeita de choque ou sepse, além de acompanhar se o tratamento está funcionando, orientando a conduta clínica em tempo real.
O lactato elevado em si não causa sintomas diretos, ele é um marcador laboratorial. Mas costuma acompanhar sinais clínicos de hipoperfusão, como taquicardia, hipotensão, extremidades frias, pele mosqueada, tempo de enchimento capilar prolongado, confusão mental e queda no débito urinário.
No laboratório central, a coleta venosa exige tubo cinza (fluoreto de sódio, que inibe a glicólise), mantido em gelo e processado em até 15 minutos para evitar valores falsamente elevados. Já em POC, como o i-STAT, a amostra de sangue total (arterial ou venosa) é coletada em seringa ou tubo heparinizado e analisada na hora, sem essa exigência.
Significa que o valor está fora da faixa normal (acima de 2 mmol/L), sinalizando hipóxia ou hipoperfusão tecidual. É um alerta que pode indicar choque, sepse ou outra condição que comprometa a oxigenação, exigindo avaliação clínica imediata.
Não exatamente. O ácido lático se dissocia no sangue em lactato e um íon hidrogênio. O lactato é essa forma ionizada, que é o que de fato circula no plasma e é medido nos exames. Por isso os dois termos são usados como sinônimos no dia a dia, mas tecnicamente não são idênticos.
Resultado em cerca de 2 minutos à beira do leito, com exatidão comparável à do laboratório central; menor risco de erro pré-analítico (já que evita o atraso e o descarte inadequado da amostra); portabilidade; e a possibilidade de rodar mais de 20 tipos de exame no mesmo dispositivo, bastando trocar o cartucho.
Decisões mais rápidas começam com resultados na hora

Na rotina hospitalar, esperar não é uma opção. Com o i-STAT, sua equipe tem acesso a resultados em minutos, diretamente à beira do leito, ganhando agilidade para avaliar o paciente, apoiar a conduta clínica e otimizar o atendimento.
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– Leia também: Como o i-STAT pode contribuir para redução da transfusão de sangue em recém-nascidos na UTI neonatal?

- ABBOTT POINT OF CARE. Estudo de caso do mundo real: Otimizando os protocolos de sepse para reduzir significativamente os custos do tratamento e melhorar os resultados. Princeton: Abbott Point of Care Inc., [2022].
- ABBOTT POINT OF CARE. Dar resposta às principais dificuldades do serviço de urgência: Sistema i-STAT. Princeton: Abbott Point of Care Inc., 2013.
- SHAHRIN, L. et al. Point of care lactate for differentiating septic shock from hypovolemic shock in non-ICU settings: a prospective observational study. The Lancet Regional Health – Southeast Asia, v. 30, art. 100500, nov. 2024. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lansea/article/PIIS2772-3682(24)00150-1/fulltext

Enfermeira formada pelo Centro Universitário de Caratinga (UNEC) | Consultora Técnica da empresa Med Supply. LinkedIn: @walkiriaduarte.


